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Não quero nada, mas...

Foto do escritor: S. Terra de Azevedo
S. Terra de Azevedo
2 de out.
2 min de leitura

Fiquei pensando em como desenvolver essa crônica sobre não querer nada, em um momento em que vários movimentos de tentativa de convencimento se espalham, invadindo nossas vidas. Parece que todos querem algo da gente.


Eu não quero nada, mas como não sou de ferro, gostaria de sugerir algo.


A vida é desafiadora. Como mencionei na crônica "Vontade", a vontade não basta para alcançar o que queremos. Em certas circunstâncias, a frustração pode ser intensa.


E quando, num cenário desafiador, surgem discursos que buscam induzir as pessoas a acreditar em soluções simples para problemas complexos? Quem enfrenta grandes dificuldades pode encontrar, no envolvimento com a massa, respostas que ofereçam alívio, pertencimento ou uma direção a seguir. No agrupamento, por vezes, aquilo que há de singular em cada pessoa pode perder espaço diante da identificação com algo comum.


Diante de tantas propagandas, de tantas afirmações e promessas, você já se deu um tempo para refletir sobre elas? Já parou para pensar se os discursos são coerentes com a prática? Indo além, seria possível imaginar as consequências para a sociedade e a vida de cada indivíduo, para a sua vida?


Defendo os direitos humanos. Defendo a dignidade da vida. Tenho respeito pela individualidade de cada pessoa. Acredito na capacidade humana de lidar com suas contradições e encontrar caminhos.


Seria possível deixar de lado, por um momento, as opiniões de familiares, amigas, amigos, colegas, influenciadoras, influenciadores, de pessoas com enorme capacidade de comunicação? Inclua nessa lista até mesmo esta minha sugestão.


No lugar disso, seria possível refletir sobre como anda a sua vida?


Distanciar-se do ruído pode ser um exercício íntimo de reflexão, e não é um gesto fácil. Talvez não se trate de abandonar a massa, nem de imaginar que seja possível viver completamente fora das influências dos outros, mas de afastar-se momentaneamente. Criar um pequeno espaço entre aquilo que se apresenta e aquilo a que aderimos pode permitir que cada pessoa examine suas próprias certezas, reconheça as influências que a atravessam e preserve a capacidade de questioná-las.


Nesse espaço, talvez seja possível ampliar a consciência e tomar decisões mais próximas da sua forma de enxergar o mundo.


Pode ser um gesto de lucidez que ajude a enxergar as possibilidades de futuro.


Bom final de semana! Boas decisões para cada uma e cada um de vocês.


Nota: o título desta crônica foi inspirado em Millôr Fernandes (1923–2012), que, em minha leitura, sempre fez questão de manter sua independência. Com humor afiado, via o "não querer" como um gesto de liberdade, uma espécie de imunização contra a manipulação.


Mais adiante, quem sabe em outro texto, eu explore essa visão da recusa ao "querer", em contraponto ao "procurar" e ao "criar". Mas aí a história é outra.


S. Terra de Azevedo


Créditos:

Foto de P K, no Pexels.

8 comentários

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dibterra
há 5 dias
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Refletir sobre o nosso querer e sair de cena, quando necessário 👏👏👏👏👏

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Sandra Aline de Oliveira Barbosa
Sandra Aline de Oliveira Barbosa
há 6 dias
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Como sempre, excelente!

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Miriam Paula Souza
Miriam Paula Souza
08 de out.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Obg caríssimo Sérgio, essa expressão o "não querer" como um gesto de liberdade, me toca profundamente, nesse tempo que me sinto desafiada a PENSAR com autonomia, e acima dos bombardeios que me cerca. Sucesso !

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S. Terra de Azevedo
S. Terra de Azevedo
09 de out.
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Miriam,

Que bom que você gostou!

Abraços,

Sérgio

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Mauro Scharf
Mauro Scharf
05 de out.

Meu querido amigo, sua crônica me fez pensar que talvez uma das liberdades mais difíceis de preservar seja a de não oferecer uma resposta imediata a tudo que tenta nos convencer.


Há algo de Nietzsche nesse convite a examinar nossas certezas: quanto daquilo que chamamos de “minha opinião” foi realmente interrogado por nós? O pensamento de rebanho também pode aparecer quando nos sentimos absolutamente originais, mas apenas repetimos as convicções do grupo ao qual desejamos pertencer. Até a rebeldia pode se tornar uma forma de obediência.


POsso acrescentar também uma pitada de Hannah Arendt (leitura obrigatória voluntária kkk) que acrescentaria a importância de manter vivo o diálogo consigo mesmo. Pensar exige suportar perguntas que talvez perturbem nosso conforto e reconhece…


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S. Terra de Azevedo
S. Terra de Azevedo
06 de out.
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Mauro,

Fiquei muito feliz com sua leitura cuidadosa e suas considerações. Penso que trocas como esta, sem as lacrações tão em moda, ajudam a ampliar a consciência e a abrir espaço para novas reflexões.

Grande abraço!

Sérgio

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simoes
02 de out.

provocações muito pertinentes para momentos de decisões importantes

Editado
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S. Terra de Azevedo
S. Terra de Azevedo
05 de out.
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Rodrigo, bom dia!

Obrigado pelo seu comentário.

A cada dia temos a oportunidade de aprender alguma coisa. Estamos diante de mais uma oportunidade de aprendizado e revisão das nossas formas de enxergar o mundo. Temos um futuro pela frente. Nossos princípios e valores são peças fundamentais nesse percurso .

Abraços!

Sérgio


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